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Pelo que pude apurar, todos os jogos
envolvendo um tacos e uma bola, descenderiam de um jogo
chamado "knattleik", jogo este originário
da Islândia. Nesse jogo, as bolas eram de couro
e cheias de terra. Pela descrição encontrada
no livro "Esportes e Mitos", Ed. Atica, esse
jogo lembraria o atual hóquei.
O "jogo de tacos" que
conhecemos é obviamente derivado do "cricket"
inglês. Não tenho idéia de sua origem
no Brasil. Mas acredito que este jogo seja relativamente
recente, na medida em que se eu o joguei na infância
(tenho quarenta anos...) meu pai não o fez e
sequer conhece suas regras, ao contrário do jogo
de botões ou do jogo de "bafo". Quem
tiver algo a dizer sobre suas origem, por favor manifeste-se.
É um jogo extremamente envolvente,
e causa um desgaste físico e uma queima de energia
muito grande...
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Necessita-se
de uma bolinha de borracha (as de tênis
são as ideais...) e um par de "tacos"
de madeira. Estes podem ser feitos de bambu, ripas
ou qualquer outra madeira resistente que se tenha
a mão. Devem ter peso e tamanho compatíveis
com o dos jogadores que irão utilizá-los.
A partida ocorre entre duas duplas, que se revezam
na posse do taco e da bola. Como somente quem
tem a posse do taco pode marcar pontos, a equipe
que está na posse da bola deve fazer tudo
para "tomar" o taco. |
A uma distância não
muito grande, talvez uns 30 metros (essa distância
pode variar conforme a composição das
duplas, masculino/feminina. adulto/criança, crianças
pequenas, etc), cada equipe marca no chão, com
giz ou outro material, uma "cela", que nada
mais é que um círculo no chão.
Sugiro o diâmetro aproximado de um metro. Dentro
da "cela" fica a "casinha", uma
armação com três gravetos de madeira,
ou uma lata de refrigerante, enfim, algo que possa ser
derrubado.
Vamos ao jogo. Decide-se, por sorteio,
qual dupla inicia com o taco. Este tem a função
de defender a "casinha" da bola lançada
pelos adversários. Ao mesmo tempo, acertando-se
uma tacada, fazendo-se com que a bola corra para longe,
pode-se tentar marcar um ponto. Para isso, a equipe
dos tacos deve trocar de lugar, isto é, devem
correr em direção a "cela" e
a "casinha" opostos a que se encontram defendendo,
e durante o percurso, bater um taco no outro.
Cada lançamento da bola,
visando a "casinha" colocada no lado oposto,
deve ser feito tomando-se por base a casinha mais próxima.
Não se pode ultrapassa-la para se efetuar o lançamento.
Feito este, o defensor da casinha visada pode tentar
rebater a bola lançada, mas não é
obrigado a faze-lo. Se não acertar, o jogador
adversário que está atrás da casinha
visada, passará a ter a posse da bola e fará
o lançamento contra a casinha oposta.
O jogador que está com o
taco, deve mantê-lo sempre dentro da cela, sob
pena de ser "queimado" pela bolinha jogada
pelo adversário e assim, entregar o taco.
Assim, "toma-se" o taco
do adversário:
- derrubando-se a "casinha",
num lançamento;
- queimando-se o jogador que não
estiver com o taco na "cela";
- se ao tentar rebater uma bola,
esta, após tocar o taco, for para trás
da casinha protegida pelo jogador que tentou a rebatida.
Neste caso a "entrega" do taco só ocorre
se isto acontecer por três vezes;
-se após uma rebatida, um
dos jogadores da dupla que está lançando
a bola conseguir recupera-la ainda no ar, isto é,
antes que ela toque o chão;
-finalmente, se um dos jogadores
que está com o taco, derrubar a "casinha"
que tem obrigação de defender.
Quando se acerta uma tacada, o jogador
que lançou a bola pode tentar interceptar a trajetória
da mesma, a fim de ficar mais perto da "cela"
do adversário. É a única possibilidade
de se fazer um lançamento a frente da "cela".
Neste caso, podem os jogadores defensores pedir "dois
tacos". Os atacantes podem pedir " um taco".
Leva quem gritar primeiro... Nesse momento, os dois
defensores "cruzam" os tacos a frente da casinha
a ser defendida, mas não podem mover os tacos.
Esta estratégia deve ser usada somente me lançamentos
muito próximos... Obviamente, em caso de rebatida,
os jogadores devem voltar às suas "celas"
antes de iniciar a corrida para a marcação
de pontos.
O jogo termina quando se atinge
o número de pontos combinados (3, 5, 7, 10, etc...)
sendo que no último ponto, os tacos devem ser
colocados cruzados no meio do caminho entre as duas
"celas".
Lembrete: cuidado com as vidraças
!
* meus apelos por colaborações
já começaram a dar frutos. Recebi um e-mail
do Dr. ÁLVARO PINTO DE ARRUDA, que afirma que
jogou tacos em sua infância, na cidade de Bauru.
Afirma ele que o jogo teria o nome de "betis".
Afirma por fim, que teria 60 anos, sendo, portanto,
um pouco mais novo que meu pai. Fica a polemica "no
ar": quando o jogo de tacos começou a ser
jogado? O debate está aberto...
* mais uma contribuição:
Denisson Diniz, mineiro, afirmou que em 1965, quando
um seu professor esteve na Rússia, o jogo de
tacos já era jogado lá, com o nome de
"benti altas". Será que este jogo,
que eu julgava brasileiríssimo é internacional?
*Outra contribuição.
O garoto THIAGO SPADA DE OLIVEIRA, lembrou a forma de
disputa dos tacos. Transcrevo seu e-mail:
"Como jogador assíduo
de taco, sinto-me na obrigação de completar
sua página com uma informação relevante:
a disputa pelo taco no início do jogo. Dentre
as várias formas de se decidir que dupla iniciará
o jogo com a posse do taco, explicarei a mais emocionante
e técnica de todas(é também a que
utilizo quando jogo). Ok,vamos lá:
1. Devem ser feitas duas linhas
paralelas no chão, que tenham aproximadamente
2,5 metros de distância entre si.
2. Posicionados atrás
de uma dessas linhas, um jogador de cada dupla deverá
lançar um taco, sendo que os jogadores devem
fazer com que seus respectivos tacos se aproximem ao
máximo da outra linha, sem ultrapassá-la.
3.O jogador que posicionar seu
taco o mais próximo a linha assegura a posse
do taco a sua dupla.
PS:
*1.cada dupla decide que jogador
fará a disputa
*2. se o taco de algum jogador
ultrapassar a linha,este terá automaticamente
perdido a posse do taco.
*3. para que seja decidido que
dupla atirará o taco primeiro, basta "um
par-ou-ímpar".
Em caso de qualquer dúvida,
estarei disposto a fornecer maiores explicações".
Thiago Spada de Oliveira, 16 anos
- Jogador de Taco - thi_spada@yahoo.com
* Mais contribuições:
esse nosso mundo dos jogos é realmente surpreendente.
O amigo RODRIGO (não deixou o sobrenome), mandou
uma mensagem contando que, na sua infância em
Belo Horizonte, ele jogava uma "variante"
do jogo de tacos. A principal diferença dessa
variante - que ele conhece por "Bente Altas"
- era que não se usa... acreditem... os tacos!
A bola é lançada com
as mãos, mas deve ser defendida com os pés.
Achei meio estranho, mas o Rodrigo me convenceu da validade
dessa variante, afirmando que, nem sempre dispomos de
bons tacos. Está certo.
As regras são basicamente
as mesmas, com a obvia diferença de que não
é preciso bater os tacos (que não existem
mesmo...) para marcar pontos, bastando a troca de bases.
Fica a sugestão para quem quiser experimentar
no final de semana. Só me contem o que acharam.
* Eu não tenho a menor dúvida
que o "jogo de tacos" é o jogo que,
individualmente, recebeu o maior número de mensagens
do site. Mas agora a coisa ficou realmente chique: em
julho de 2004, recebi algumas mensagens da amiga-virtual
TERESA RIOS VAN DUSEN, brasileira mas que mora
hoje em dia em Dallas, Texas, nos Estados Unidos.
A Teresa começou comentando
que, por trabalhar com um indiano, confirmou minhas
"suspeitas" de que o "taco" é
descendente direto do cricket inglês.
Informou-me ela que "...provavelmente
o cricket foi trazido ao Brasil pelos ingleses no século
XIX, quando era a grande a presença de ingleses
no país. Dessa época ganhamos o futebol,
o "bonde", o forró e outras coisas
mais que foram agregadas e transformadas pela nossa
cultura. Acho que isso também explicaria a mutação
do nome para Bentes Altas (eu vi também referência
à Bentes Atlas). Tenho um amigo que é
russo e vou perguntar a ele sobre esse tal de bentes
altas. Todas as páginas que achei sobre o jogo
estavam em russo".
Como ela me contou que trabalha
em companhia de pessoas de diversas nacionalidades,
não resisti e pedi para ela um resumo sobre jogos
de rua de outros paises. E ela, gentilmente, colaborou
com o site, mais uma vez:
"Oi Mauro.
Eu já recebi colaboração
de dois amigos, um indiano e um russo, falando um pouquinho
sobre jogos de rua nos seus países e no Paquistão.
E assistindo aos desenhos infantis daqui com minha filha
fiquei sabendo de jogos que se jogam aqui nos EUA. Aqui
vai um resumo.
Aqui nos EUA têm Hide-and-Seek,
que é o jogo de esconde-esconde. Tem várias
versões. Uma pessoa esconde o rosto numa árvore
ou parede (o pique) e conta até 10, os outros
participantes se escondem. Quando ela termina a contagem
fala:"Ready or not, here I come!" e começa
a procurar. Aqui começa a variação.
Quando o "pegador" encontra alguém,
este alguém toma o lugar do pegador e tem que
procurar a próxima pessoa que vai tomar seu lugar.
Ou então, numa outra versão, cada pessoa
sendo encontrada junta-se ao grupo de "pegadores"
até quando só faltar uma pessoa. Todos
estarão procurando por ela que passará
a ser o primeiro "pegador" na próxima
rodada. O esconde-esconde também é jogado
no Paqusitão com o nome de Larroo ou Pat Patonay.
O pegador esconde o rosto no pique, enquanto todos os
outros se escondem. Quando todos já se esconderam,
alguém grita Larroo e o pegador começa
a procurar os outros. Se ele acha alguém, esta
pessoa tenta alcançar o pique antes de ser tocado
pelo pegador. Se o pegador toca a pessoa encontrada
antes dela alcançar o pique, esta passa então
a procurar os outros. Todos tentam sair de seus esconderijos
e bater no pique antes de serem alcançados pelo
pegador. O último pegador será o primeiro
na próxima rodada.
Na Índia e no Paqusitão
têm dois jogos chamados: Kabaddi e Gulli-Danda
que são semelhantes a jogos do Brasil.
Kabaddi, pelo que eu entendi,
se parece com um jogo chamado chicotinho-queimado que
eu jogava na minha infância. Traça-se uma
linha divisória no campo e cada time fica de
um lado. Um jogador de um time cruza a linha e tenta
tocar jogadores do time adversário, que em contrapartida
tentam pegá-lo antes que ele regresse a seu campo.
Se ele tocar um adversário, o adversário
está fora, se ele for pego antes de retornar,
ele está fora. Quando um time vai começar
a ofensiva, o atacante grita Kabaddi, Kabaddi. Depois
que um time termina sua ofensiva, é a vez do
outro time gritar Kabaddi e atacar. O objetivo é
eliminar os jogadores do time adversário. Na
versão que eu jogava no Brasil, atrás
de cada time tinha uma outra linha divisória
e era colocado lá um pauzinho (o chicotinho),
que deveria ser recuperado pelo time do outro lado.
O objetivo era cruzara linha adversária, ir queimando
jogadores até que se pudesse recuperar o chicotinho
e trazê-lo de volta a seu campo.
Gulli-Danda, outra variação
do cricket. Neste caso têm dois times. Cada time
tem um batedor e os "catchers", e ao invés
de bola eles usam um pauzinho de 6 polegadas de comprimento
que é lançado e deve ser abatido com o
taco. Se algum dos "catchers" do time adversário
pegar o pauzinho o batedor está fora e aquele
time faz pontos. Não tem casinha para ser derrubada.
Na Rússia tem um jogo
chamado: "gorodki" - Tem uns bonequinhos de
madeira numa ponta da pista e na outra ponta uma pessoa
joga uns pauzinhos tentando derrubar as bonequinhas,
como uma mistura de cricket com boliche.
Nos parques aqui do Texas é
muito comum ver as "pistas" para jogo de ferradura.São
dois círculos de areia com um bastão de
ferro enterrado no meio. Cada time tem que lançar
as ferraduras no círculo de areia do time adversário
com o objetivo de enganchar a ferradura no bastão
de ferro. Cada jogador têm que lançar um
certo número de ferraduras (acho que três)
e ganha o time que conseguir enganchar mais ferraduras
no bastão do time adversário. Isto me
fez lembrar o jogo de Bocha (Boccie), que meu avô
italiano e meus tios adoravam. Mas você deve conhecer
este daí.
Outros jogos do Paquistão:
Kawat Kanrray - Forma-se uma
fila com todos os participantes menos um, que deve se
virar de costas para os outros enquanto um deles esconde
uma pedrinha na camisa. Quando o participante que está
fora da fila recebe o sinal da fila, ele se vira e tenta
descobrir quem está com a pedrinha. Ele toca
a testa de cada participante na fila e tenta psicologicamente
descobrir quem está escondendo a pedrinha. Eu
jogava algo parecido no Brasil que se chamava passa-anel.
Uma pessoa escondia um anelzinho entre suas mão
espalmadas e todos os outros participantes numa fila
seguravam suas mãos espalmadas, com se estivessem
rezando. O que tinha o anel começava a passar
suas mãos entre as mãos de cada participante
na fila e eventualmente deixava o anelzinho com um deles.
O objetivo era descobrir quem tinha recebido o anel.
Eu não me lembro quem tinha a tarefa de descobrir...
Mat Jangawal- dois garotos seguram
o pé esquerdo, com o joelho dobrado e começam
a pular em um pé só, o primeiro que soltar
o pé ou cair no chão perde.
Kissa Kali Kali - é para
testar o conhecimento que as crianças têm
da sua comunidade. Um participante faz uma pergunta
do tipo: dois irmãos e três irmãs,
que família é esta? E os outros participantes
têm que descobrir a resposta certa. Eu me lembro
de um jogo onde a gente sorteava uma letra do alfabeto
e cada participante tinha que escrever uma cor, flor,
fruta, marca de cigarro, cidade, país e nome
de pessoa que começasse com aquela letra. Quando
todos terminavam de escrever, comparavam os resultados.
Se você tivesse escrito a mesma palavra, essa
era eliminada. Ganhava quem tivesse encontrado o maior
número de palavras únicas, que ninguém
mias havia usado.
Karkhey, Maya, Kachna, Gwotey
e Teeki são versões dos jogos de bolinha
de gude, mas são jogados com nozes. Faz-se um
círculo no chão e cada garoto põe
uma ou duas nozes dentro do círculo. Cada participante
tenta acertar as nozes dos outros para tirá-las
do círculo. Aliás, este jogo com bolinhas
de gude (marbles) também é jogado aqui
nos EUA".
E a Teresa mandou outra colaboração,
agora sobre o pião, que coloquei junto aquele
brinquedo.
Ante o entusiasmo da colaboração
da Teresa, gostaria de acreditar que ela teve bons momentos
e boas lembranças, ao escrever suas colaborações.
De minha parte, só posso
agradecer a esta recente amiga-virtual. São pessoas
como ela, com seu entusiasmo e suas colaborações,
que me incentivam a manter o site no ar.
TERESA, UM GRANDE ABRAÇO
E MEU MUITO OBRIGADO!
No natal de 2005, o meu Mateus ganhou
da madrinha Julia, um"jogo de tacos". Produzido
por uma marcenaria, o jogo consiste em dois tacos de
madeira, duas "casinhas" uma bolinha de borracha.
Como era de se esperar, o joguinho virou a coqueluche
do feriado, permitindo que eu, finalmente, conseguisse
algumas fotos para ilustrar esta página!
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