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Pipas e papagaios  

Demorei muito tempo para animar a escrever sobre pipas e papagaios. E o fiz por entender que este assunto merece atenção especial. Agora, acabei sendo incentivado a fazê-lo pelo amigo ÂNGELO JOÃO ZUCCONI, que publica a belíssima página Terra Brasileira.

Até hoje, já com 40 anos de vida, SOU UM APAIXONADO POR PIPAS! Volta e meia ainda compro papel de seda, arrumo varetas de bambu e, usando o Mateus como desculpa, passo a fazer uma pipa. Hoje em dia, sai meio torta, meio sem jeito. Mas antigamente eu era bom nisso...

Pois bem. Ao que tudo indica, as pipas teriam sua origem no oriente, mais especificamente na China. Eram usadas primordialmente por adultos, e para atividades sérias. Serviam para passar avisos durante as batalhas e coisas do gênero. Hoje, no oriente, as pipas têm ainda um significado religioso, tendo por finalidade "espantar maus espíritos".

No Japão, são chamados de "tako",que significa "polvo". Lá a fabricação de papagaios tem quase um status de arte: existem, além da pipas tradicionais, geométricas, pipas em forma humanas, de animais, pássaros, que carregam objetos que assobiam com o vento. São produzidas pipas de até 5 metros, que precisam de equipes para serem "empinadas".

Usa-se pipas, inclusive, para anúncios comerciais.

Uma lenda coreana afirma que, um velho general, teria feito subir uma pipa, durante a noite, sobre suas tropas. Como a pipa tinha uma lanterna, o general afirmou que se tratava de uma nova estrela que surgia, sendo um sinal de vitória para seu exército, conseguindo assim uma motivação maior de seus soldados.

"A enciclopédia chinesa "Khé-Tchi-King-Youen" (Livro IX, f.8), relata como a tradição atribui a invenção da pipa ao célebre general chinês Hau-sin, que viveu no século 206 aC. Este General, conforme Tchin-i, entrou no centro da cidade e a conquistou, fazendo um túnel, após ter calculado, por meio de uma pipa, a distância entre o campo onde estava e o palácio Wai-Yang" (Do livro "Jogos Tradicionais Infantis", de Tizuko Morchida Kischimoto).

Na Malásia os papagaios são empinados por pessoas com graves problemas. Estas levam suas pipas a grandes altitudes, cortando a linha. Acreditam assim que estão se livrando de um problema grave e podem começar uma nova vida.

Na China, o dia nove do mês nove é o "Dia do Papagaio". Adultos e crianças do sexo masculino dirigem-se às colinas para empinar suas pipas.

E no Iraque as pipas são empinadas a noite, com lanternas, a fim de encheram a noite com estrelas artificiais.

Em ilhas do Pacífico, as pipas são feitas de folhas de bananeira e usadas na pesca.

Em 1752, uma pipa prestou-se a uma das experiências mais famosas que se conhece: Benjamin Franklin, pendurou uma chave na linha de uma pipa, atraindo um raio, dando origem a teoria que acabou por gerar o pára-raios.

No site de SILVIO VOCE um famoso eolista aqui de São Paulo ("eolista" é o especialista em pipas; o nome vem de "Eólo", Deus dos Ventos...), está contada uma história verdadeiramente interessante: alguns estudiosos, estão testando a hipótese de que as pirâmides tenham sido construídas com auxílio de pipas. Estas, através de roldanas, ajudariam a levantar e posicionar as pesadíssimas pedras nos seus lugares. O mesmo se daria com os imensos menires e monólitos da Europa (como Stonhegen, na Inglaterra).

 

Se parece uma teoria absurda e louca, lembrem-se que navios a vela, de peso infinitamente maior, atravessaram (e ainda atravessam...) os mares, impelidos pelo vento capturado por "pipas fixas": as velas!

E mais. Pipocam esportes radicais, em que pessoas são arrastadas, na água ou na neve, por pipas. E existem pipas enormes, feitas para serem "pilotadas" por dois fios, ao invés de apenas um só.

E as pipas invadiram o cinema. Quem assistiu ao filme "WaterWorld", se lembrará de uma cena em que o herói, vivido pelo ator Kevin Kostner, em dado momento, para fugir de seus perseguidores, lança de seu barco a vela uma pipa enorme, que passa a puxar o barco...

No Brasil, o papagaio teria sido introduzido pelos portugueses, que por sua vez o conheceram no oriente. Teria sido introduzida através do Maranhão, que aliás é um dos nomes pelos quais as pipas são até hoje conhecidas.

Teria sido usados pelos escravos do Quilombo de Palmares, como sinalizadores, o que indicaria que as pipas eram conhecidas também na África.

Hoje em dia, as pipas seriam usadas pelos traficantes, como forma de aviso. Estes "recrutam" crianças de pouca idade como "olheiros" de suas "bocas de fumo", e estas passam a soltar pipas quando avistam policiais. É, sem dúvida, uma utilização muito triste de um brinquedo tão alegre. É uma utilização ainda mais triste de crianças, aliciadas pelo sonho do dinheiro fácil. Triste país, em que crianças e brinquedos servem a marginalidade...

Na minha infância, "PAPAGAIO" era o nome genérico para todo e qualquer artefato que voasse. "PIPA" era o nome específico para o papagaio feito com três varetas, que também era conhecido por "laçador" ou "caçador". Normalmente, esse papagaio possuía um rabo (chamado tecnicamente de "rabiola"...) muito longo, difícil e chato de fazer. Mas ficava lindo no ar uma pipa com uma rabiola bem feita...

Era difícil fazer uma pipa, pois as três varetas tinham que ser amarradas com linha, formando o que se chamava de "armação". Nada conseguia fazer subir uma pipa com uma armação mal feita. O bom "empinador" era aquele que fazia uma boa pipa...

Quem morou em Guarulhos na mesma época que eu, certamente se lembrará da "Papelaria Rosana", onde os donos, um casal de japoneses, fazia pipas maravilhosas e perfeitas!

As meninas empinavam "raias" ou "arraias", que eram pipas com duas varetas, grandes e sem rabo, incapazes de fazer manobras. Absolutamente insossas... Verdadeiramente, brinquedos de meninas... Subiam com qualquer assopro de vento...

Das raias derivava o "peixinho", que era uma raia menor, com rabo (geralmente muito longo), que permitia manobras.

E, finalmente, tínhamos a "capucheta", um papagaio feito de uma única folha de jornal, sem varetas. Era para aqueles dias em que não conseguíamos "arrancar" dos pais o dinheiro para o papel e a cola...

Havia ainda um tipo de papagaio muito grande, de forma hexagonal ou octogonal, com rabo de pano: era a "barraca", que precisa de vento forte e constante. Este eu nunca aprendi a fazer.

O grande sonho era aprender a fazer papagaios do tipo "caixa" ou "caixote", verdadeiras obras de arte na época.

As manobras acima mencionadas, eram conseguidas com "golpes" na linha, que fazia as pipas "dibicarem", isto é, "mergulharem" em direção ao solo. Deste mergulho, as pipas só saiam quando se soltava mais linha.

Assim, bom "empinador" era aquele que fazia a pipa quase bater no chão, para só aí "dar linha", fazendo com que ela voltasse a subir. Era a glória! As manobras eram usadas também para cortar a linha de outras pipas. As linhas eram preparadas com uma mistura de vidro moído e cola (o "ceról", "cortante" ou "perregüe"), tornando-se verdadeiras navalhas. Se cortavam a linha de outras pipas, cortavam a mão de quem usava esse preparado. Não eram incomuns acidentes com essas linhas, acidentes estes que, infelizmente, acontecem até hoje...

Hoje em dia, temos diversos tipos de papagaios prontos, para serem comprados. Feitos de plástico, nylon ou outro material, muitos desmontáveis, necessitam normalmente de linhas tipo "cordonê" (será que ainda se fala assim?), muito mais grossas que a chamada "linha dez" que usávamos nas pipas feitas em casa. A foto ao lado, foi tirada em Maio/2003, ocasião em que o Mateus, meu filho, teve a oportunidade de "empinar" sua primeira pipa (dá pra ver no cantinho superior direito da foto). E esta acabou no meio do lago do hotel-fazenda onde estávamos... Mas como era de nylon, o prejuízo ficou por conta da linha embaraçada e mais nada.

De qualquer forma, feitas em casa de papel e bambu, ou compradas feitas, de nylon e varetas plásticas, uma pipa é, ainda hoje, garantia de muita diversão.

A importância das pipas, aparece até nas telas de CÂNDIDO PORTINARI

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E quando você acha que já viu tudo...

Em julho de 2007, estive, em férias, na Bahia.
Na praia, um rapaz vendia um "objeto voador" muito interessante.
Feito de isopor, era composto de um circulo de isopor, com um "eixo" oval, também de isopor. Com o vento, o dito objeto girava e voava!

Achei muito interessante a construção do aparelhinho.

 

Este é o aparelhinho voador.

A foto foi tirada em alta velocidade e "congelou" o movimento desta "pipa". Mas elas estão girando em alta velocidade!

Observe que o aparelho tem um varinha no centro da peça oval, para dar rigidez a peça e permitir que se fixe, nesta vareta, um pedaço de plástico que permite que  o conjunto gire.

 
 

Esta adaptação é a "alma" do aparelhinho: um preguinho ou alfinete fixado na vareta central. Um pedacinho de plástico onde se amarra a linha e permite que o conjunto gire, sem embaraçar!

Gênio!

E no fim, com um monte de aparelhinhos voando, temos uma imagem assim:

 

 

 

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