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Pião  

Este jogo está aqui provisoriamente, pois pretendo abrir uma seção de brinquedos. Porém não posso desperdiçar contribuições feitas.

O pião é um objeto cônico, geralmente de madeira, com uma ponta de metal. É lançado com ajuda de um fio (conhecido por "fieira"), que o faz girar. Os piões são conhecidos desde a antiguidade., tendo sido encontrados piões de argila, decorados, originários da Babilônia.

Piões foram encontrados nas escavações de Pompéia.Cinco séculos antes de Cristo, um poeta grego de nome CALÍMACO fazia menção ao pião como jogo infantil popular. São citados por VIRGILIO, HORÁCIO, PLÍNIO, O VELHO, sendo que o político CATÃO, afirma que o pião é um divertimento infantil muito mais apropriado que os dados...

Acima, pião tradicional, com sua "fieira". Certamente este é o tipo mais comum de pião, encontrado por todo o Brasil.

Já os japoneses fazia sulcos nos piões, a fim de que estes assobiassem.

O Dr. ÁLVARO PINTO DE ARRUDA, Procurador de Justiça aposentado, relata suas experiências e as regras para os jogos com este brinquedo:

Quanto aos jogos com o pião, lembro-me (vamos ver se os três neurônios, que tenho, entram em sintonia...) que:

1. podia ser jogado simplesmente pelo prazer individual de jogá-lo; mas,

2. havia um jogo, chamado "cela", pelo qual se jogava "a valer", ou seja, para ganhar ou perder o pião. Fazia-se um círculo (um metro de diâmetro, aproximadamente) com um risco no chão (tudo era terra, àquele tempo...) e cada jogador "casava" um pião lá dentro, jogando com outro. O jogo consistia em jogar o pião dentro da "cela", sobre os que lá estavam e, com habilidade, puxá-lo para fora da "cela". Se lá ficasse, estava perdido; se com a batida no chão retirasse qualquer outro pião de lá de dentro, o pião resgatado estava ganho; "pião entrou na roda, pião, bambeia, pião", lembra? mas,

3. havia outro jogo, chamado "caça", aliás uma das essências do jogo de pião, que consistia em jogar o pião no chão e "caçá-lo" com a mão, recolhendo-o (em regra) por entre os dedos indicador e médio. Ganhava quem ficasse mais tempo com o pião rodando na mão; quando o pião parava de rodar, ele "morria"; Dessa habilidade de "caçar" o pião é que deriva a expressão "pegar o pião na unha", ou seja, enfrentar uma situação difícil: ainda

4. havia uma variação muito bonita da "caça", pela qual o jogador jogava o pião e, sem que ele batesse no chão, puxava-o de volta ao corpo "caçando-o" no ar;

5. o interessante é que o pião caçado dava origem a um jogo de "bata", que consistia no seguinte: marcava-se um campo de tamanho combinado, o meio desse campo e dois "gols" de dois palmos nas extremidades. Uma bolinha de madeira (do tamanho de uma bola de pingue-pongue) era colocada no meio. Dado o sinal, os jogadores (um ou mais de cada lado) jogavam seus piões, caçavam e batiam na "bata" com o mesmo, impulsionando-a em direção ao "gol".Posso me lembrar que os piões altos, esguios, eram muito bons para "cela". Os mais "chatos" (bojudos e pesados) eram ótimos para "bata". Você está me fazendo ficar com saudades daquele tempo e do meu "batatão", um belíssimo e gordo pião, com o qual eu "arrepiava" nos jogos de "bata". Interessante lembrar que o piões "baixos e gordos" são menos rápidos e ágeis que os esguios, "morrendo" mais depressa. Mas, por serem mais pesados, impulsionam muito mais a "bata"; então é necessário ser rápido para aproveitar a jogada. Eu não jogava o "batatão" no chão, caçava-o no ar.

Outra modalidade de pião é o chamado "pião de dedo" ou "carrapeta". O pião em si é pequeno, e é girado com o polegar e o indicador, sem o uso da "fieira".

Em algumas modalidades, é usada uma "bandeja" com obstáculos que o pião deve percorrer. Existe também a chamada "roleta de pião", onde num "prato", com pequenos buracos numerados, são colocadas bolinhas de metal. O pião é lançada, fazendo com que a bolinhas se movimentem e caiam nos buracos, marcando-se assim os pontos.

Este pequeno pião é ideal para espaços fechados, onde não se tem um "terreiro" próprio para o lançamento do pião grande.

Uma "roleta de pião", com o pião rodando ao centro,
ambos de madeira escura.
Acima, dois "piões de dedo" da "Origem". De inspiração japonesa, estes piões tem o diferencial de que, colocados para girar na forma como foram fotografados, tendem a virar de "cabeça para baixo",
passando a girar sobre o eixo que possuem.
E os brinquedos evoluem... Acima, mais um pião da Origem.
De madeira pintada, com o "centro" feito de uma bola de gude, dá um bonito efeito quando girado.

"Garimpando" em um "armarinho", acabei por descobrir este joguinho de "Rapa tudo". O jogo em si é bem "bobinho": um piãozinho com as palavras "rapa", "põe 1", "tira 1/2", "deixa", "tira 1" e "põe 2", é colocado para girar. Conforme a face que ficar voltada para cima quando ele parar, o jogador deve pegar todas as fichas apostadas ("rapa") , colocar mais uma ficha, e etc.

Vale pela curiosidade, pois foi modelo para quadros do programa do Silvio Santos entre outros...

Piãozinho girando
Detalhe do pião

* Com relação ao "rapa-tudo", tenho que publicar a colaboração da amiga TERESA RIOS VAN DUSEN, que já colaborou, também, longamente, com o "jogo de tacos":

"O rapa-tudo e' inspirado no dreidel, um brinquedo judeu que e' muito popular quando eles celebram o Hanukkah, o festival das luzes, uma festa que dura oito dias quando eles comemoram a reedificacão do templo de Jerusalem feita por Judas Macabeu. O "dreidel" (Yiddish; sevivon em hebraico) é pequeno pião quadrado comumente dados as crianças durante hanukkah. Em cada face do pião há uma letra do alfabeto hebraico: Nun, Gimmel, Heh and Shin, que formam o acrônimo da frase "Nes Gadol Hayah Sham" ("Um grande Milagre Aconteceu").

Eu sempre ganhava joguinhos de rapa-tudo do meu avô quando criança. Vinha numa caixinha de plástico com as fichinhas e o pião. Quando vim morar em Dallas, Texas, em contato com vários amigos judeus fiquei conhecendo o jogo."

MAIS UMA VEZ, OBRIGADO TERESA!


E quem tem amigo, nunca fica sem assunto.
Em Julho/2003, o amigo Miguel, presenteou o meu filho, o Mateus, com este pião "carrapeta", vindo diretamente de Santa Catarina.
Ao Miguel, um grande abraço e obrigado.

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