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Este jogo é conhecido
por todos. Mesmo assim, recebi inúmeros pedidos
de colocar suas regras no site. A dificuldade, obviamente,
é a de descrever as regras. Eu conheço
uma versão. Não sei se existem outras.
Trata-se de um jogos de "adivinhação"
e blefe. Cada jogador inicia com três palitinhos.
Os jogadores colocam as mãos para trás,
escolhendo uma quantidade de palitos (zero, um, dois
ou três), colocando a mão direita para
frente. Os palitos "em jogos" são os
que se encontram nesta mão.
A seguir, cada um dos jogadores
dá o seu palpite ("chamar"), dizendo
qual o total dos palitos estão em jogo, ou seja,
quantos palitos, ao todo, existem nas mãos dos
jogadores. Os palpites não podem ser repetidos.
Ganha a rodada aquele que acertar o número exato
de palitos em jogo.
Este jogador, então, "tira"
um palito e passa a jogar com um palito a menos, isto
é, se tinha três palitos ao todo, agora
jogará com dois. O jogador que deu o palpite
em primeiro lugar, na próxima rodada será
o último a "chamar", e assim por diante.
Ganha o jogo quem primeiro ficar
sem palitos.
Existem poucas restrições:
na primeira rodada, não se pode "vir de
lona", ou seja, não se pode apresentar a
mão direita sem nenhum palito.
Pode-se, inclusive, "jogar"
na mão dos adversários: num rompante de
ousadia, o jogador que será o primeiro a "chamar"
pode vir de "lona" e, abrindo a mão,
mostrar que não tem palitos e assim procurar
adivinhar quantos palitos os demais jogadores apresentam.
Obviamente, se errar, ajuda os adversários, já
que mostrou nada ter nas mãos...
Não existe um número
máximo de jogadores possíveis. Mas um
número muito grande de jogadores fará
o jogo ficar lento e chato. Parece-me que 4 seja um
número razoável. Da mesma forma, somente
dois jogadores fará o jogo ficar meio previsível.
Uma única dica obvia: evite
pedir "lona" quando você for o primeiro
a jogar, se não for "jogar na mão
dos adversários": você estará
indicando aos demais jogadores que você não
tem palitos na mão!
A origem do jogo:
No dicionário Aurélio,
versão eletrônica, temos que "porrinha"
é:
[De porra + -inha.]
S. f. Bras.
1. Jogo em que os parceiros encerram na mão certo
número (entre 0 e 3) de moedas ou palitos de
fósforo, para depois, um a um, tentarem adivinhar
o total; basquete-de-bolso, jogo de palitinhos.
Ao que parece, a "porrinha" teve origem na
"Morra", jogada pelos antigos romanos. Esse
jogo era um jogos de palitinhos, sem palito. Os jogadores,
simultaneamente, apresentavam um ou mais dedos da mão
direita, ao mesmo tempo que diziam um número.
Quem acertasse quantos dedos foram apresentados, ganhava
o jogo.
Segundo alguns, o nome "porrinha", pode ter
surgido da expressão "Porro cum quo micas
in tenebris ei liberum est, si velit, fallere".
(Com certeza, àquele com quem jogas morra no
escuro, ainda que avisado, podes enganar), que teria
sido proferida por Santo Agostinho, no séc. IV
d.C.
Da palavra latina "Porro", para "porra"
e daí para "porrinha", certamente foi
um passo.
E se você acha que está falando algo novo,
quando diz que "Fulano é tão honesto
que se pode jogar palitinhos com ele pelo telefone",
saiba que os romanos diziam "quicum in tenebris
mices", isto é, era honesto aquele com
quem se pudesse jogar Morra no escuro...
Um jogo parecido com a Morra é o "tesoura/pedra/papel",
onde os jogadores se digladiam da seguinte forma:
- colocando a mão fechada= pedra. Esta "quebra"
a tesoura, ganhando desta;
- colocando-se o dedo indicador e o médio= tesoura.
Esta "corta" o papel, ganhando deste;
- colocando-se a mão aberta= papel. Este "embrulha"
a pedra, ganhando desta.
Este jogo tem um nome oriental, que não ouso
tentar escrever.
Mais uma contribuição importante. O amigo
ALEXANDRE LEITE BAPTISTA permitiu que eu disponibilizasse
no site a versão eletrônica do "Purrinha"
(como ele chama). Está na seção
de programas. E ele está
prometendo, para breve, uma versão para ser jogada
on-line.
Ao Alexandre, os meus agradecimentos.
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