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"Alea jacta est"
(A sorte está lançada)
JULIO CÉSAR |
"São três as portas deste antro
Esperança, infâmia e morte.
Pela primeira se entra
Pelas outras se sai"
Frase gravada nas portas de uma casa de jogos
de dados
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"Deus não joga dados"
ALBERT EINSTEIN
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"A vida do homem é como
um jogo de dados; se você não consegue
a jogada que esperava, pode mostrar sua habilidade
tirando o máximo da jogada que conseguiu".
TERÊNCIO
(seja lá quem for...)
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"Sicut Deus invenit 21 literas
alphabeti ita Diabolus invenit dados uni possuit
21 puncta"
(Assim como Deus inventou as 21 letras do alfabeto,
da mesma forma o Diabo inventou os dados, que tem
21 pontos".
Gabriel Bareletta - pregador da Idade Média
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Coloridos, de plástico,
encontrados em qualquer casa, são os DADOS talvez
um dos instrumentos de jogos mais comuns na atualidade.
Um sem número de jogos, sejam modernos ou antigos,
utiliza-se de algum tipo de dado para a seqüência
do jogo. E mesmo o xadrez, talvez o jogo mais "cerebral"
que existe, onde o fator "sorte" é inexistente,
no seu início tinha uma versão jogado com
dados...
Os dados são talvez a forma
mais antiga de se "tirar a sorte". Sua origem
é antiqüíssima, confundindo-se com
a origem das artes divinatórias. Objetos mágicos
e lúdicos, obviamente, os primeiros "dados"
pouco se pareciam com os dados atuais. Normalmente eram
dados binários, isto é, de dois lados,
que davam, obviamente, somente um de dois resultados
possíveis, como uma moeda no jogo de "cara
ou coroa". Eram utilizadas conchas, pedaços
de madeira, ossos, varetas, pedras, chifres, dentes,
marfim, argila, porcelana, cristal, mármore enfim,
qualquer material e meio que pudesse diferenciar um
lado de outro.
Egípcios, astecas,hindus
e esquimós conheciam os dados, jogados de diferentes
formas, com diversas marcações.
O Rig Veda, o mais antigo dos livros
sagrados da Índia, faz menção aos
"funestos efeitos do gosto imoderado pelos jogos
de dados"...
Antes mesmo de serem "fabricados",
os antigos utilizavam-se de certos ossos de animais
- o "ASTRÁGALO" - ossos esses de forma
quase cúbica, para jogos e adivinhações.
Como esses ossos são irregulares, costuma-se
marcar os valores maiores nas faces que tem menos probabilidade
de ficar para cima...
Uma lenda afirma que os dados como
hoje os conhecemos, seriam invenção do
grego PALAMEDES, que os inventou durante o cerco a cidade
de Tróia, juntamente com um jogo de tabuleiro,
que seria antepassado do xadrez e outros jogos.
Na Odisséia de Homero, existe
uma passagem em que os pretendentes a mão de
Penélope, jogam dados sobre um couro de boi,
em frente ao Palácio Real de Ítaca, morada
da rainha. Plutarco historiador e filósofo grego
conta, em sua obra "Vidas paralelas", que
os deuses desciam do Olimpo, exclusivamente para jogar
dados com os guardiões dos templos.
Segundo SANTO AMBRÓSIO,
os hunos apostavam até seus braços e pernas,
que deixavam cortar sem reação, quando
perdiam. Em casos extremos, apostavam a própria
vida num jogo de dado. E se o vencedor perdoasse o perdedor,
este se suicidava, pois estava em jogo não só
a própria vida do jogador, mas também
a sua honra.
A famosa frase de Julio César,
que reproduzi acima, na verdade não foi invenção
do Imperador: era largamente utilizado quando do jogo
de dados!
Soldados romanos disputaram as poucas
roupas de Cristo num jogo de dados.
Henrique VIII, rei da Inglaterra,
perdeu os sinos da Igreja de São Paulo em um
jogo de dados. Um soberano da Índia perdeu a
mulher e seu império...
A palavra "azar" vem do
árabe "az-zahar ou az-zahr", que significa
"jogo de dados". Quando das cruzadas, foi
trazida para o ocidente pelos guerreiros franceses,
acabando por desvirtuar-se, e tomando o sentido que
tem hoje, ou seja, "má sorte; fortuna adversa;
caiporismo; revés; fatalidade; desgraça;
infortúnio; casualidade; acaso" (dicionário
Aurélio).
Conta-se que durante os cercos impostos
pelos cruzados cristãos contra a cidade de Homs
, no ano de 1138, os líderes cruzados Jocelin
de Edessa e Raymond de Antioquia divertiam-se, jogando
intermináveis partidas de dados.
No início da Idade Média,
a Igreja proibiu os dados aos eclesiásticos,
sendo que Carlos Magno estendeu a proibição
a todos os povos do Império. O jogo era comparável
ao alcoolismo e passível de excomunhão.
O abade de Boismont, durante uma
partida, afirmou que se não ganhasse, revelaria
o segredo da Igreja. Tendo perdido, olhou gravemente
para seus adversários e sentenciou: "O purgatório
não existe"...
Os dados mais comuns, são
aqueles de forma cúbica, com seis lados, o "D6".
Normalmente, cada lado é numerado de um a seis.
Os números são marcados de forma que a
soma das faces opostas seja sempre "7". Assim,
oposto ao "1", temos o "6", e assim
por diante. Em geral são lançados com
a mão, mas não é incomum o uso
de "copos" para facilitar o lançamento.
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A foto ao lado são de copos para lançamento
de dados, que o artesão Zampa fez para
complementar o meu tabuleiro de gamão.
Como toda peça desse artesão, merece
especial destaque o trabalho de marchetaria, aliás
a especialidade dele.
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Existem ainda dados em que cada
face do cubo é marcada com um "ás",
um "rei", uma "dama", um "valete",
dez e nove, como se fosse num jogo de cartas de baralho.
É usado para jogos de pôquer com dados.
Mas além dos dados cúbicos,
existem outros com 12, 14 (usados pelos soldados romanos,
feitos de chumbo) e 20 lados.
Para os jogos de "RPG",
bem como para outros jogos modernos, até mesmo
um dado de 100 faces foi inventado.
Outro tipo de dado, marca em suas
faces coroas e âncoras, além dos tradicionais
naipes de um jogo de cartas, isto é, copas, ouros,
espadas e paus. É utilizado para um jogo de azar,
obviamente chamado de "Coroa e Âncora",
onde as apostas são feitas sobre que figura vai
aparecer, quantas vezes e etc. O jogo teria sido popular
entre os ingleses e seus descendentes, especialmente
nas colônias - EUA e Austrália - onde grandes
fortunas foram ganhas e perdidas sobre o tabuleiro.
Neste tabuleiro, que contem as mesmas
figuras acima mencionadas, são feitas as apostas,
lembrando vagamente as apostas feitas num jogo de roleta:
o apostador pode escolher apenas uma figura, ou várias
delas, dependendo o ganho ou perda, da combinação
conseguida.
É um jogo rápido e
ágil.
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Os dados ao lado, de dois lados, são usados
no jogo Senat.
O tabuleiro que foi encontrado na tumba de Tutankamon,
tinha dados na forma de dedos humanos, inclusive
com unhas pintadas...
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Os dados piramidais ao lado,
são do Jogo Real de Ur. São considerados
os dados mais antigos que existem, encontrados
por Sir Leonard Woolley, em 1920, em túmulos
reais da antiga Ur.
Os dados descobertos encontram-se
hoje no Museu Britânico.
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Deve ser lembrado também
o "dado de apostas", ou "dadão",
usado habitualmente nos torneios de gamão. É
um cubo, com suas faces marcadas com os números
2, 4, 8, 16, 32 e 64. Mas este dado não é
lançado: serve para anotar-se o números
de pontos que cada partida está valendo.
Existem ainda jogos para 2 dados,
para 3 dados, 4 dados, 5 dados e 6 dados. Com o tempo,
estarei colocando suas regras.
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REINVENTANDO
OS DADOS
Sempre reclamei que é difícil
comprar dados. As vezes, conseguimos bons dados, mas sempre
"meio sem querer".
No início do ano de 2005, entrou
em contato comigo o DARIO SAMPAULO,
da "Diversão ao Cubo" (para quem interessar,
o endereço está na seção de "links").
Em nossas conversas, acabei pedindo a ele alguns dados de
cor preta, difíceis de serem encontrados.
Ele acabou me presenteando com os dados
pretos e me mandou também uma amostra dos dados que
ele produz.
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Ele está produzindo um interessante
jogo de futebol com dados, |
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Além de dados
para "esquentar" um namoro, |
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dados para escolher o programa
("balada" na linguagem da "molecada")
da noite,
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e um dado para deixar verdadeiramente
quente um encontro...
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Assim, com um pouco de imaginação,
podemos reinventar o velho dadinho, dando a ele infinitas
utilidades.
Em abril de 2009, recebi um texto das
amigas virtuais
Cristina de Oliveira Alcará e
Thatiana
Sakate Abe, falando sobre o jogo do "BOZÓ",
um jogo de dados que não é muito comum no Brasil, sendo mais
conhecido, como elas explicam, no Mato Grosso e Mato Grosso
do Sul.
As meninas contaram um pouco da
história do jogo e, mais importante, mandaram as regras
dele:
Bozó
"O Bozó é um jogo instigante,
onde é preciso ter sorte e estratégia para obter a vitória.
Sorte, pois são utilizados cinco dados que serão lançados ao
acaso e estratégia para obter a pontuação mais conveniente e
não a mais óbvia.
A origem do jogo ainda é
incerta, só sabemos que ele é uma das variações de um jogo
muito antigo chamado Yam (possui relação com o Pôquer) e
outros jogos, dentre eles o Yatch, Holligam e o General.
Acreditamos que o Bozó foi baseado no General por haver uma casa com esse nome.
E, também, no Nordeste Bozó significa dado.
O Bozó não é muito popular no
Brasil, ele é conhecido nos estados de Mato Grosso e Mato
Grosso Sul, e é muito jogado entre a população urbana e
indígena dos dois estados.
O Jogo Bozó
O jogo é composto por um
"tabuleiro" (cada competidor deve desenhar seu próprio
"tabuleiro" em uma folha de papel comum), cinco dados e um
copo não transparente.
Cada casa do tabuleiro tem um
nome e a pontuação que poderá obter.
Nome
das casas
Pontuação
AS – com a face 1 dos dados, poderá
obter de 1 até 5 pontos;
DUQUE – com a face 2 dos dados,
poderá obter de 2 até 10 pontos;
TERNO – com a face 3 dos dados,
poderá obter de 3 até 15 pontos;
QUADRA – com a face 4 dos dados,
poderá obter de 4 até 20 pontos;
QUINA – com a face 5 dos dados,
poderá obter de 5 até 25 pontos;
SENA – com a face 6 dos dados,
poderá obter de 6 até 30 pontos;
FÚ – com duas faces iguais, mais
outras três faces iguais, obterá 20 pontos;
SEGUIDA – cinco faces em seqüência,
obterá 30 pontos;
QUADRADA – com quatro faces iguais,
mais uma diferente, obterá 40 pontos;
GENERAL – com as cinco faces iguais,
obterá 50 pontos.
Regras
- No jogo Bozó não tem limites de
jogadores, podendo ser disputado por duas, três, quatro, ou
mais pessoas. Pode ser jogado em duplas também;
- O inicio do jogo poderá ser
decidido entre os participantes;
- Cada jogador poderá fazer três
tentativas em seqüência, podendo parar quando conseguir a
pontuação que lhe convier;
- Quando jogar o dado pela primeira
vez, o jogados poderá separar os dados que lhe convém, e
jogar somente os dados que sobraram. Isso poderá ser feito
também na segunda tentativa;
- Antes de o jogado ver sua jogada,
ou seja, antes de levantar o copo, o jogador pode pedir
BAIXO, fazendo isso, servirá somente as faces de baixo
do dado, por isso, o Bozó não pode ser jogado com um copo
transparente;
- BOCA é quando o jogador
consegue na primeira tentativa, marcar nas casas do FÚ,
SEGUIDA, QUADRADA e GENERAL , ganhando assim cinco pontos de
bônus;
- Quando o competidor não tiver
opção de marcação de pontos, ele terá que eliminar uma casa
que não esteja pontuada;
- O jogo termina quando todas as
casas forem preenchidas;
- Ganha o jogo quem obtiver a maior
pontuação."
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Aqui
coloco minha "colher torta" na historia:
o "Bozó" é, sem dúvida, uma simplificação do "Yam".
Ou, ao contrário, o "Yam" é uma "complicação"
do "Bozó".
Fica a pergunta: o que surgiu primeiro?
O ovo ou a galinha? O
"Bozó" ou o "Yam"?
Pela simplicidade, parece-me que o "Bozó" seja o
precursor do "Yam" e até mesmo do "General",
estes dois jogos mais "complexos",
com mais variações e possibilidades de jogadas.
Mas é só um "chute" meu... |
As meninas me pediram para colocar o
endereço de e-mail delas aqui no site.
Se alguém tiver mais alguma informaçâo sobre o "Bozó", elas
pedem que lhes seja encaminhada:
cristinaalcara@yahoo.com.br
CRISTINA E THATIANA,
MUITO OBRIGADO PELA COLABORAÇÃO!!!!
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