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Quem tem amigos, sempre
tem ajuda.
O BRUNO ALONSO
me mandou um farto material sobre o jogo BUL.
Para se ter uma idéia, o Bruno entrou em contato
com a Embaixada do México, tão somente
para conseguir alguns dados históricos sobre
o jogo!
Ele me mandou o que se conhece do jogo, bem como as
regras do mesmo.
Mas eu, do alto da minha desídia, não
arrumei tempo para colocar no ar...
Até
hoje!!!!
Finalmente, "depois de
longo e tenebroso inverno", como diriam os
escritores antigos, consegui espremer minha falta de
tempo, minha preguiça e, SAIU!!!
BRUNO, TAÍ SUA
CONTRIBUIÇÃO, MEU AMIGO! DESCULPE A DEMORA!
Gostaria de "meter minha colher
torta" no material do Bruno e fazer alguns comentários.
Lendo as regras, não pude deixar de lembrar do
MANCALA. Ao que parece, tanto o Bul como o Mancala,
são jogos de "gente simples",
não necessitando de material especial para serem
disputados.
O Bul, como o Mancala, tem suas origens, sem dúvida,
na fixação do homem na terra, no inicio
do desenvolvimento da agricultura, quando o trabalho
do plantio e colheita era mesclado com a guerra e com
os atos dos Deuses.
Lembro, também, que as populações
pré-colombianas, tem um histórico de sacrifícios
(inclusive humanos), violência e guerras. Será
que o Bul, não seria uma "versão
infantil", de sacrifícios e guerras
na qual se metiam os Maias?
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Bul, Jogo Maia
A palavra bul no
idioma maia significa "dado" e designa
"azar". O Bul tem semelhanças
com o patolli, um jogo asteca.
Alguns arqueólogos
contestam a possibilidade dos maias terem jogado bul,
porque segundo eles só foram encontrados tabuleiros
de patolli feitos em pedra em vários sítios
arqueológicos, como o de Bonampak, eles dizem
que o fato de imagens maias que fazem referência
a homens jogando grãos de milho não é
suficiente para comprovar que os maias jogassem o bul,
pois o ato de atirar caroços de milho entre os
maias estava ligado a rituais de adivinhação.
É certo que
os jogos de azar eram muito populares entre os povos
mesoamericanos. De acordo com alguns cronistas o bul
poderia fazer com que os desafiantes apostassem inconsequentemente
e alguns chegavam até mesmo a perder a própria
liberdade, quando a apostavam. Seguramente faziam tais
apostas na esperança de recuperar o que já
haviam perdido. Nos escritos sobre os maias do padre
Digo Durán demonstrava o choque ao ver que
apostavam suas próprias vidas no bul, se tornando
escravos do vencedor.
Óbvio que
o tal padre pensasse dessa forma devido a sua mentalidade
cristã, mas a escravidão dessa maneira
era muito comum entre os povos da América Central
e tais informações não causam surpresa.
As regras:
Originalmente monta-se
um tabuleiro com 15 grãos de milho enfileirados(para
quem não sabe o milho era a base alimentar de
maias, astecas e de muitos outros povos pré-colombianos).
Os 14 espaços entre os milhos é que são
utilizados para jogar.
Quatro 4 grãos
de milho, com uma queimadura escura em um dos lados
servem como dado. Cada lado queimado conta como um ponto,
mas se ao jogar não cair nenhum lado queimado
para cima a pontuação será 5.
O jogo pode ser
jogado por vários jogadores, mas sempre em número
par. Cada jogador inicia com 5 guerreiros, que podem
ser representados por sementes, gravetos, pedaços
de tecido etc.
Cada jogador joga com um guerreiro por vez, que começam
em cada canto do tabuleiro. Os guerreiros só
se movimentam para frente. Em sua jogada, o jogador,
joga os milhos 2 vezes e anda depois de cada vez, ou
seja, os valores não devem ser somados formando
um único movimento! Quando um guerreiro alcança
o fim do tabuleiro ele continua o movimento no início,
como se o tabuleiro fosse circular, sem fim.
Ao cair em uma casa ocupada por um guerreiro inimigo,
você a captura e deve retornar com ela até
ao seu lado do tabuleiro, onde o guerreiro será
sacrificado. Só após o sacrifício
é que você e o jogador que teve o inimigo
morto, poderão entrar novamente no tabuleiro.
O jogo termina após todos os guerreiros de um
lado serem mortos.
Quando se joga com
mais de 2 jogadores(divididos em 2 times), os guerreiros
de mesmo time, mas de jogadores diferentes, não
podem ocupar a mesma casa. Se um guerreiro de seu time
e que não pertence a seu exército for
capturado, você pode capturar oo guerreiro que
o capturou e assim trazer todos para seu lado do tabuleiro,
onde o inimigo será morto e o aliado liberto
para voltar ao tabuleiro.
Obs: A situação da volta com o inimigo
capturado para seu lado do tabuleiro é mera formalidade,
quando se joga com 2 pessoas, pois os movimentos, assim
praticados na volta não farão diferença
no jogo.
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